sábado, 30 de maio de 2009

A Palavra

Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos, saboreando-a.

Carlos Drummond de Andrade (Nielson)

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeitoinexistente.Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular com um paradigma da 1ª conjugação.Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.Casou com uma regência.Foi infeliz.Era possessivo como um pronome.E ela era bitransitiva.Tentou ir para os EUA.Não deu.Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Paulo Leminski
"Aquele que tem por vício a leitura, droga alucinógena das mais leves, acabará cada vez mais dependente dela. E o pior, passará para drogas mais pesadas, como a escrita. Nesta fase crítica, o leitor, agora escritor, tende a fugir regularmente da realidade e ter devaneios de que, assim como Deus, é criador de Universos inteiros."
Jefferson Luiz Maleski