quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sobre saudades

Sentimos muita saudade Chamamos de lembranças...
De passado e às vezes de futuro
Mas há pessoas que deviam colar em nós para sempre!
Mães são saudades eternas
Ainda quando estão ao nosso lado
Preparando nossos corações para o mundo
Acho que somos feitos, em grande parte...
Do perfume, do carinho e dos suspiros de mãe
Amigos são saudades gigantes
Lembro de minhas amigas de infância até hoje
Quando ainda brincava de bonecas,
de pique-esconde
São saudades do passado que se perpetuam no presente
Tenho saudade dos amigos que moram longe, de ouvir sua voz
Hoje uma amiga me ligou pela manhã e ficou tão perto...
Amores são saudades emolduradas
Temos as fotos, temos os momentos vividos
Alguns tem filhos, outros tem presentes, mas todos temos histórias vividas, que o tempo só costuma ampliar...
Sabemos que existem amores eternos, mas que outros vão nos renovar
A maioria de nós não viverá uma história de amor para a vida toda...
Mesmo assim, de saudade em saudade vamos vivendo, vamos desviando também
Não temos saudade de quem nos feriu com vontade, ou quem nos machucou muito
Também escapamos de saudades algozes, aqueles que se fingiram de flor...
Mas trouxeram sofrimento, embora na maioria das vezes tenham nos feito crescer também
Se é inevitável sentir tanta saudade, quero viver muito para estar mais contigo, meu amigo
Quero encontrar mais amor e mais amores e, do novo abrigo, abrir as portas e aplacar um pouco...
Essa enorme saudade...
Carol Timm
Postado por Adriana Kelly

terça-feira, 14 de julho de 2009

FILTRO SOLAR - Pedro Bial

Vale a pena fazer esta leitura

Nunca deixem de usar filtro solar!Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,seria esta: use filtro solar.Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solarestão provados e comprovados pela ciência;já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o podere a beleza da juventude até que tenham se apagado.Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos eperceber de um jeito - que você nem desconfia hoje em diaquantas tantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente,e como você realmente tava com tudo em cima.Você não é tão gordo(a) quanto pensa!Não se preocupe com o futuro.Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupaçãoé tão eficaz quanto mascar chicletepara tentar resolver uma equação de álgebra.As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nuncapassaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatroda tarde de uma terça-feira modorrenta.Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.Cante.Não seja leviano com o coração dos outros.Não ature gente de coração leviano.Use fio dental.Não perca tempo com inveja.Às vezes se está por cima,às vezes por baixo.A peleja é longa e, no fim,é só você contra você mesmo.Não esqueça os elogios que receber.Esqueça as ofensas.Se conseguir isso, me ensine.Guarde as antigas cartas de amor.Jogue fora os extratos bancários velhos.Estique-se.Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida.Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.Tome bastante cálcio.Seja cuidadoso com os joelhos.Você vai sentir falta deles.Talvez você case, talvez não.Talvez tenha filhos, talvez não.Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você.As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.É assim pra todo mundo.Desfrute de seu corpo.Use-o de toda maneira que puder. Mesmo.Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele.É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.Dance.Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.Dedique-se a conhecer os seus pais.É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passadoe possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficase de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem.More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.Viaje.Aceite certas verdades inescapáveis:Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear.Você, também, vai envelhecer.E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem,os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,e as crianças, respeitavam os mais velhos.Respeite os mais velhos.E não espere que ninguém segure a sua barra.Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.Talvez case com um bom partido.Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarentavai aparentar oitenta e cinco.Cuidado com os conselhos que comprar,mas seja paciente com aqueles que os oferecem.Conselho é uma forma de nostalgia.Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.Mas no filtro solar, acredite!
Postado por Adriana Kelly

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Outras produções

Geni e o Zepelim

Em uma sociedade de costumes requintados surge uma mulher que faz e acontece. Geni, a alegria de uns e o algoz de outros. Muitos passaram pelos braços de Geni: era nego torto, cegos, moleques, detentos, velhinhos a beira da morte e até viúvas. Para ela o local não importava, onde desse pra encaixar Geni estava lá. Diante de tais comportamentos era odiada pela parte que não se beneficiava de seus serviços. Era gente querendo jogar pedra, cuspir, coitada da Geni.
Um belo dia eis que o feitiço vira contra os feiticeiros, a cidadezinha é invadida por um zepelim com um arsenal já mais visto nem mesmo em filmes de guerra. Todos moradores borram-se ao ver descer do zepelim o comandante, uma figura assustadora de tamanho incalculável. O pânico tomou conta da cidadezinha tendo como certeza virarem geleia. Porém um pronunciamento trouxe à esperança no rosto de todos. O comandante diz ter uma mudança de planos. Logo, os moradores abriram um sorriso, mas nunca imaginavam o motivo pelo qual havia feito o comandante mudar seus planos. Em alto e bom som disse repugnar as atitudes daqueles moradores, mas estava disposto a refutar a sua decisão se aquela morena o fizesse gemer á noite toda. Em alto e bom som tom todos começaram a gritar: vai com ele Geni; Bendita Geni. Era prefeito, bispo, pastores, suplicando para que ele se entregasse a ele. Ela pensou em não ceder, entretanto diante de tantos apelos, lambuzou-se com o forasteiro, o fez subir pelas as paredes até que o mesmo partisse.
A cidadezinha foi salva e graças a Geni. Mas após a partida do comandante , era bosta, cuspe, pedra, tudo na cara da coitada. Maldita Geni! Se tu não tivesse dado eles não estariam aqui.
Grupo: WILLIAM, MICHELINE, ERIVÃNIA E ALBÉRIO
Geni e o zepelim
Era uma vez uma mulher que namoradeira que não negava uma noite de prazer, nem aos negros do cais do porto. Seu corpo era propriedade de todos, cegos, retirantes, errante. Era assim desde menina, dava em qualquer esquina, o que ela menos se importava era com o ambiente fosse em uma garagem, numa cantina ou no mato...
Com tamanha fama, Geni era descriminada por aquelas pessoas que não concordavam com sua forma de vida. Sendo assim, repetiam sempre:
_ Joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa pra cuspir, ela dá pra qualquer um maldita Geni.
E pensaram e disseram sempre o mesmo sobre, até que um, eis que surge um Zepelim que abriu dois mil orifícios e deixou a cidade apavorada, pronta para ser destruída, mas dele desceu o comandante dizendo:
_Mudei de idéia. Resolvi explodir esta cidade ao ver tanto horror, mas posso evitar tudo isso, se aquela formosa dama esta noite me servir.
Neste momento as pessoas mudaram o discurso quanto a Geni,dizendo:
_ Vai com ele, vai Geni.Você pode nos salvar, você vai nos redimir...Bendita Geni.
Tanto que imploraram que Geni dominou o asco, entregando-se naquela noite àquele homem repugnante,que a fez de objeto até ficar saciado.
Antes de amanhecer o homem foi embora com seu Zepelim prateado. Ela aliviada por um instante tentou até sorrir, mas foi ao raiar do dia que a cidade tornou a repetir:
_Joga pedra na Geni...Maldita Geni.
Grupo:MARIA CÉLIA, KÁTIA JUMÁRIA,ERIVALDO,CRISTIANA e CÁSSIA



Geni e o Zepelim
Como uma Madalena condenada, Geni era “amada” pelos homens e odiada pelas mulheres. Com seu andar provocante quadris largos e coxas torneadas esbanjavam formosura, num corpo esculpido pela natureza, despertava os mais indecentes desejos.
Assim era Geni, amais bela mulher de vida fácil já encontrada naquela pacata cidade -um tribunal da inquisição,prestes a executá-la por ser tão popular e à frente do seu tempo.Todos a odiavam e a invejavam.Ela era de todos, mas não pertencia a ninguém.
Um dia, vindo de um Zepelim prateado, incumbido de arrasar aquela maldita cidade surge um comandante que se rende aos dotes de Geni.Uma paixão avassaladora que mudaria o destino da cidade,causando também uma mudança brusca no comportamento da população.
Geni,antes desprezada,agora torna-se a heroína de que o povo precisava.A única capaz de salvar a população de um desastre tão iminente.E Geni, foi sim, a salvadora,apesar do asco que sentia.
Apesar de ter salvado a cidade, não foi Geni, capaz de redimir às pessoas.Voltou a ser uma Geni qualquer.

Grupo:MARIA ANUNCIADA, MARIA CARMELINDA e NIELSON

Ave, Geni!
Uma maldita Geni, muito namoradeira, era famosa na cidade pelas aptidões sexuais. Relacionando-se com homens de todos os tipos, preferencialmente os mais humildes por se parecerem com ela. Os negros do mangue eram seus favoritos, assim como os do cais do porto.
Todos os homens que ali moravam, inclusive retirantes tinham acesso ao corpo de Geni.
Desde menina já era afoita, não havia lugar apropriado para se relacionar com qualquer um, e por isso, ficou famosa e discriminada pela sociedade. A população queria apedrejá-la.
Certo dia surgiu um enorme Zepelim pairando sobre os edifícios, com dois mil canhões apontados para a cidade, pois o comandante achando tanto horror e iniqüidade resolveu destroçá-la.
A cidade inteira parou para assistir a cena, mas o comandante, ao ver Geni,propôs evitar o drama caso àquela dama cedesse aos desejos dele.Essa dama era Geni.
Neste momento a maldita virou bendita, tornando-se a salvadora da cidade.
E assim a população fez romaria para beijar a mão de Geni,prefeito, banqueiro e até o bispo louvaram-na.
Comovida, seguiu Geni para cumprir a sina, entregando-se ao comandante numa noite alucinante, para ele.
Quando amanheceu, depois de saciado, o Zeplim partiu e Geni voltou a ser maldita, toda glória caiu por terra e voltou a ser alvo de pedradas e cusparadas.
Grupo:ELIONEIDE e FERNANDA

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Nossa Produções

Produções a partir do texto “A pesca” de Affonso Romano de Sant’Anna


PROSA DISSERTATIVA

Em um país tropical em que o anil do céu se destaca, Vê-se no silêncio do mar uma prática que vem se tornando cada vez mais comum: a pesca predatória que degrada a fauna marítima causando desequilíbrio ambiental.
A falta de conscientização das pessoas tem contribuído para tal realidade, onde se nota um completo descaso quanto ao uso correto dos equipamentos e até mesmo o respeito e cuidado com os peixes.
A pesca esportiva praticada por amadores revela o despreparo, ignorância, e consequentemente a crueldade a estes animais, que por vezes ao serem devolvidos ao mar acabam morrendo devido aos graves ferimentos.
Um problema gera outro, esses peixes são levados pelas ondas até a areia causando a poluição das praias.

Maria Célia, Cássia,Willian e Nielson

PROSA INJUNTIVA

Como fazer uma boa pescaria

Para ter uma pescaria bem sucedida escolha um dia de céu azul e prepare o seu anzol, não se esqueça da isca!
Deixe suas preocupações de lado: nada de ficar marcando o tempo e, em silêncio, lance o anzol com a agulha na posição vertical, deixando-a mergulhar na água.
Quando o anzol perfurar a garganta do peixe, arranque-o da água e retire-o.
Agora é só tratá-lo e degustá-lo curtindo a areia e o sol.

Erivania Barbosa, Elioneide , Wedna Cristina, Anunciada e Fernanda.



PROSA NARRATIVA

Em um lindo dia ensolarado de céu azul-anil, o pescador resolveu sair de casa, em silêncio, aproveitando o bom tempo que pairava sobre a praia, para fisgar um peixe.
Chegando à beira-mar, encaixou com cuidado a isca na agulha e num lance aquilino certeiro, mergulhou na água o anzol. Após uma longa espera percebeu que a linha agitava ainda mais a espuma que se formava ao redor do equipamento. O tempo de espera não havia sido em vão, pois um grande peixe surgiu quebrando o longo silêncio. O pescador retirou com um arranco da garganta do animal o anzol que o fisgou, ferindo-lhe a boca.
Estabanado de tanta fúria o homem relaxou na areia e aproveitou o lindo dia de sol e céu azul, saboreando a vítima.

Rossana ,Cristiane , Micheline, Carmelinda e Magneide

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Aqui morava um rei"

Aqui morava um rei quando eu menino
Vestia ouro e castanho no gibão,
Pedra da Sorte sobre meu Destino,
Pulsava junto ao meu, seu coração.

Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.

Mas mataram meu pai. Desde esse dia
Eu me vi, como cego sem meu guia
Que se foi para o Sol, transfigurado.

Sua efígie me queima. Eu sou a presa.
Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa
Espada de Ouro em pasto ensanguentado."

Ariano Suassuna.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O pássaro transparente

[...]Há quantos anos, neste mesmo trem, rasguei aquelas cartas, uma a uma? E há quantos vejo - dias, três vezes por mês, ao amanhecer e a tarde - estas mesmas paisagens? Ao contrário de mim, mudaram pouco. E a mudança, a minha, foi para melhor ou para pior? [...] Tem-se a impressão que os mesmos homens, os meninos de sempre veem o trem passar. E que os bois, nos pastos são os mesmos. Só as árvores, por causa do verão e da estação das chuvas, transformam-se para recuperar, a cada ano que vem, sua juventude. A juventude do homem, felizmente, não é como a folhagem dessas árvores. Se fosse, se eu voltasse a ser jovem, cometeria decerto os mesmos erros, talvez outros maiores.[...]

LINS, OSMAN. Nove Novena. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. Pág. 10

Micheline

sábado, 30 de maio de 2009

A Palavra

Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos, saboreando-a.

Carlos Drummond de Andrade (Nielson)

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeitoinexistente.Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular com um paradigma da 1ª conjugação.Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.Casou com uma regência.Foi infeliz.Era possessivo como um pronome.E ela era bitransitiva.Tentou ir para os EUA.Não deu.Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Paulo Leminski
"Aquele que tem por vício a leitura, droga alucinógena das mais leves, acabará cada vez mais dependente dela. E o pior, passará para drogas mais pesadas, como a escrita. Nesta fase crítica, o leitor, agora escritor, tende a fugir regularmente da realidade e ter devaneios de que, assim como Deus, é criador de Universos inteiros."
Jefferson Luiz Maleski