[...]Há quantos anos, neste mesmo trem, rasguei aquelas cartas, uma a uma? E há quantos vejo - dias, três vezes por mês, ao amanhecer e a tarde - estas mesmas paisagens? Ao contrário de mim, mudaram pouco. E a mudança, a minha, foi para melhor ou para pior? [...] Tem-se a impressão que os mesmos homens, os meninos de sempre veem o trem passar. E que os bois, nos pastos são os mesmos. Só as árvores, por causa do verão e da estação das chuvas, transformam-se para recuperar, a cada ano que vem, sua juventude. A juventude do homem, felizmente, não é como a folhagem dessas árvores. Se fosse, se eu voltasse a ser jovem, cometeria decerto os mesmos erros, talvez outros maiores.[...]
LINS, OSMAN. Nove Novena. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. Pág. 10
Micheline

Nenhum comentário:
Postar um comentário